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Resgatando um rascunho sobre Pequim

Vivian e eu na Cidade Proibida

Eu ando descomprometida demais com esse blog. Shame on me.

Fui vasculhar o arquivo e olha só o que achei: um rascunho de um post antigo que nunca foi publicado.

Ele está incompleto mas só pelas memórias que me trouxe eu resolvi postar do jeito que está.

Preciso, antes, comentar que, apesar das inúmeras reclamações, eu resalto que este foi escrito ainda no meu primeiro mês, portanto ainda estava no processo de choque cultural. Apesar dos aspectos negativos citados abaixo, Pequim ainda é minha cidade preferida no mundo (das que tive a chance de visitar) e eu simplesmente amo a China e voltaria COM CERTEZA a morar lá.

Então.. aí está:

Para variar, meus planos de atualizar regularmente não deram certo. Nunca consigo me comprometer com algo a longo prazo.
1 mês se passou desde que cheguei aqui.. acumulei tanta estoria que ficaria difícil lembrar de tudo. Posso relatar alguns dos fatos mais marcantes e das impressões que tive e venho tendo, positivas e negativas.
Primeiramente, é impossível um estrangeiro passar um tempo nesse país sem ficar chocado com certos aspectos da higiene.  Tudo bem que muito tem a ver com cultura e crenças, mas acho que certos hábitos vem de senso comum e chegam a relacionar-se diretamente com nossa saúde. Higiene pessoal e convivio num ambiente adequadamente limpo (e não me refiro a neuroticamente limpo) são aspectos indispensáveis para salubridade básica necessária ao bem estar do homem. Já cansei de ouvir pessoas falando “você vai se acostumar” quando vêem minha expressão chocada diante de certas cena mas acho que não vai ser tão fácil assim. Não consigo aceitar certas coisas!!!!
Primeiro.. ok, chineses tem aquela crença de que devem por para fora tudo que considerarem mal para o corpo… mas gente, como eles conseguem produzir tanto catarro???? E outra, eles estão expelindo do próprio corpo mas expondo aos outros o “mal” que veio de dentro. As calçadas são todas salpicadas de cuspidas e escarradas.. em uma caminhada de 5 metros, vejo pelo menos 3 pessoas fazendo aquele “CRRRRRRR” preparando para o “TCHU”  do cuspir. Me refiro a homens E mulheres, ein?! Jovens e velhos. Ainda não consigo evitar olhar com cara feia e resmungar qualquer coisa em português para eles, aproveitando que não irão entender.
Outra coisa… a linha 1 do metrô é um inferno na terra. Minha primeira experiência, no dia em que saí do trabalho direto para Yong’ali para encontrar Felipe no Silk Market foi simplesmente TRAUMÁTICA. Após perder a cabeça e o controle, me dei conta de minhas atitudes e fiquei estática.. logo depois desabei. Liguei para Michelle chorando. Minha querida e adorável companheira de trabalho e amiga mais próxima em Pequim saiu da linha 13, dando meia volta na linha 2 e enfrentou o tumulto da linha 1 para me encontrar mesmo tendo dito que não era necessário tanto esforço. A fofa insistiu e disse que como minha amiga se sentia responsável e sentia-se mal por não ter me alertado sobre a situação das estações nesta linha no horário de rush.
A linha 1 é uma lata de sardinha. A situação nos horários de pico é a seguinte: chinês, antes de mais nada, não entende bem o conceito de fila. Meia duzia de pessoas começam uma fila, os outros acham longa e começam a se acumular no meio da passagem de quem quer sair dos trens. Daí fica um acessor em cada porta para evitar esta situação. Quando o trem está se aproximando, todos eles começam a gritar mandando as pessoas sairem do caminho, não muito eficaz. Começa o tumulto e correria. O metrô para, as portas se abrem e como uma mala que você senta em cima pra fechar o zíper, as pessoas vão saindo não por vontade própria, mas pela pressão da evasão de ambiente mais denso para ambiente menos denso. Ao mesmo tempo, quem ta fora começa a tentar entrar forçando quem tenta sair voltar para dentro.. daí começa a guerra, empurra pra dentro, empurra pra fora. É uma cena desesperadora, FIGHT FOR YOUR LIVES, corram para as montanhas! Ninguém reclama e ninguém faz cara feia. Eles agem como um algo costumeiro.
Outro dia fui na padaria.. daí eles te dão uma bandeija e um pegador para você ir pegando o que quer. Daí visualizei um pãozinho mas a bandeija não tava coberta.. pedi, então, um guardanapo para cobrir a bandeija e assim fiz. Peguei o pãozinho e pedi para esquentar no microondas. Ela me pega o pão e quase enfia sem papel dentro daquele prato IMUNDO do microondas. Daí eu conseguí impedí-la a tempo e pedi que colocasse algo em baixo… com muita dificuldade consegui fazer entender que era para pegar o papel e por em baixo. Assim feito, me viro de costas bem na hora que termina de esquentar… quando me viro devolta…… a mulher remove o papel, joga fora, e coloca o pão em cima da bandeija podre sem nada para cobrir. POOOOOOOOOOOOOOOOOOORRA , MULHER!!!!! Quero mais não. Oxe!
O partido comunista está realizando uma conferência anual para discutir metas de curto e longo prazo.. alguns representantes estão hospedados no hotel onde se localiza meu escritório. A entrada de estrangeiros é proibida, logo tive que ser transferida para um prédio vizinho. Porém, o banheiro utilizado pelos funcionários deste também estava localizado dentro do pátio do hotel.  Logo, eu fico sem banheiro. De improviso passei 2 semanas e meia utilizando o banheiro de um restaurante no final da rua e, sempre que precisava ir lá, tinha que ligar para alguém do meu escritório me acompanhar. Que conveniente! Pelo menos o banheiro não chegava a ser tão nojentinho quanto o do escritório. De fato, era razoável.. mas ainda aqueles vasos que são tipo um buraco no chão feito de porcelana.
 

Diário de Bordo

Então.. já que agora estou do outro lado do mundo, resolvi, pelo menos tentar, fazer disso aqui um diário de bordo e compartilhar minha experiência aqui na terrinha de visão widescreen.

Saí de Recife na madrugada da quarta-feira em direção ao Rio. Passei o dia por lá e dei uma volta pelo Aterro do Flamengo. Puta calor insuportável no Rio! Acho que nem Recife consegue ficar tão quente. Os termômetros marcavam enlouquecedores 37 graus! :O fala sério, nem nordeste chega a tanto!!!! Tomei um banho porque precisava! Tava morta. Tirei um rápido cochilo e peguei o taxi devolta para o aeroporto, chegando em boa hora para pegar o vôo Air France para Paris.

8 horas que passaram até razoavelmente rápidas em Paris. Não tinha muito o que fazer então cedi as tarifas abusivas de internet em aeroporto. Acho que a grande maioria dos portões próximos eram para o oriente.. só se viam  chineses e japoneses em todo seus requintes fashion! Fiquei lá falando com mainha, painho, Manuca e amigos esperando a hora do meu vôo.

Cheguei na sexta-feira pela manhã. Como até então não tinha recebido resposta do pessoal da NE quanto ao meu transfer, temi que não tivessem recebido os dados do meu vôo por conta do ano novo chinês, pois o escritório estaria fechado. Felizmente lá estava uma chinesinha muito simpática segurando uma plaquinha com meu nome e sorrindo para mim. No caminho, a primeira impressão da cidade é que ela não tinha tanta cara assim de “China”. Não é como Japão que parece constantemente afirmar que você está num país asiático. Prédios altos de arquitetura básica porém não muito aglomerados. Carros de todas as marcas circulando. Restinho de neve nos canteiros e um frio de rachar!

Cheguei ao hotel, numa ruazinha estreita sem calçada, num dos centros históricos chamados Hutong. Ruas tradicionais e estreitas às margens de grandes avenidas. Nestas, muitas casinhas de cores escuras com elementos tradicionais cá e lá. A entrada do hotel era bem característica, assim como o interior. Estou no NE Courtyard até achar um apê para alugar. Depois de 2 dias viajando, eu estava MORTA! Implorando por um soninho descente. Não deu outra, desabei. Pouco depois alguém bate na porta do quarto. Era Nancy da NE International vindo me trazer um SIM Card para meu celular e cartão do metrô. Aproveitou para me levar até a esquina e me mostrar algumas lojinhas onde eu poderia comprar alguns suprimentos e carregar o celular. Ainda me disse que uma das estagiáriasde lá havia passado um tempo no hotel e poderia me dar melhores dicas. Quando acordei do cochilo, recebi uma mensagem da estagiária, uma finlandesa chamada Suvi. Mais do que simplesmente me dar dicas, ela largou do trabalho e veio até o hotel para me mostrar a vizinhança. Coisas uteis como banco, estação de metrô e Mc Donalds ;D Ainda aproveitou e me convidou para uma festinha de despedida de uma outra estagiária finlandesa, a acontecer no dia seguinte. Minha oportunidade de interagir com outras pessoas que falem inglês! Então comprei alguns suprimentos (chá e lamen :p) na lojinha e voltei para o hotel.

Ainda sofrendo com o jet lag, acabei dormindo cedo demais e acordando no meio da madrugada.. fiquei acordada até quase 1 da tarde e caí no sono denovo. Acordei já umas 5 horas, tive que me apressar para a festinha. Chegando lá, muita gente branquela com cara de escandinavo. Naturalmente, a GRANDE maioria do norte europeu. Pessoal muito simpático e prestativo. Acabamos a noite num pubzinho majoritariamente frequentado por ocidentais. No caminho tive a infelicidade de perder meu queridíssimo celular ): tava velhinho mas tinha enorme valor sentimental e um teclado qwerty com função de ctrl+c ctrl+v! (a melhor parte do falecido Nokia E61i).

Domingo precisei ir atrás de um novo celular com urgência. Pedi ao cara o mais barato da loja. Para que um celular descente cheio de teclas em chinês que me será inútil quando voltar para casa? Além do mais, eu queria fazer uma ligação com urgência!!! Então peguei um basicão da Anycall, marca de celular da Samsung na Coréia (não me pergunte porque simplesmente não se chama “samsung” como no resto do mundo, já que a marca é coreana mesmo). Logicamente não consegui a façanha de comprar um celular sozinha, meu mais novo amigo Simo, também finlandês, que já mora há 6 anos em Pequim e fala chinês me prestou auxilio. Depois fomos almoçar num restaurante chinês e eu fiz a besteira de mastigar um pedaço de pimenta sem querer (não me avisaram que era pimenta!) e chorei. Enfiando um monte de chá guela abaixo foi aliviando. Voltei para o hotel e novamente capotei na hora errada e acordei no meio da madrugada.

Segunda-feira, dia de compras! Tendo informado a minhas queridas companheiras de trabalho na Disney, Stacie e Dianna, que eu viria para Pequim, embora elas fossem de Xangai, me prestaram assistência e Stacie me apresentou outra ICP do Animal Kingdom que trabalhava na função de custodial, Ann. Outra chinesinha a-do-rá-vel! Chegou aqui as 10 da manhã junto com outra ICP (Shuang) do mesmo parque que falavam inglês muito bem (raríssimo aqui, ein?) e saímos para fazer compras. Antes de tudo fomos almoçar num restaurante LINDO! Como se não bastasse a semelhança dos chineses, todas as garçonetes ainda tinham o mesmo corte de cabelo e, com o mesmo uniforme, você nunca acerta quem tá atendendo sua mesa. Fomos num dos centros de compras que haviam cerca de 4 prédios com andares cheios de lojas e stands vendendo coisas lindas e baratíssimas! Porém barganhar é uma arte na China. Você pode fazer eles diminuirem o preço em até 1/3 do valor original. Claro, para estrangeiros eles não são tão flexíveis.. mas Shuang é pró nessa arte! E ela até se divertia fazendo isso! A bota que começaram me oferecendo por 180 RMB arrematamos por 60 RMB. Gente, isso é apenas 15 reais :O Uma botinha linda bege, estilo country, com uma gordinha de lado e um detalhe de crochê e peludinha por dentro para esquentar meus pezinhos. Comprei outros itens necessários para enfrentar esse frio porque, definitivamente, eu não vim preparada para enfrentar os -16 graus celcius que me pegaram na rua no domingo! Na primeira loja que paramos, porém, uma chinesinha muito mal educada me ofereceu uma bota por 330 RMB.. uma pena, a bota era linda.. porém eu não ia dar lucro para aquela criatura. Enquanto Shuang tentava barganhar, ela disse “você não precisa barganhar, diga a ela que é 330” ela ficou irritada e elas começaram a discutir.. Shuang disse “não sou tradutora, somos amigas”. Saimos bem chateadas. Logo em seguida, uma chinesinha da loja vizinha correu atrás de nós para dizer que a bota foi vendida a outra pessoa mais cedo por 120 RMB.

Terça-feira (vulgo hoje)! Ainda lutando contra meu próprio relógio biológico, acabei dormindo DEMAIS! Das 8:30 da noite às 2:30 da manhã e depois das 6:00 da manhã as 2 da tarde. Enrolei um pouco e fui na loja de conveniencia tentar me aventurar a colocar mais crédito no celular pois sem saber que apenas uma das operadoras ofereciam atendimento em inglês, eu comprei chip da que não tem (o que foi cedido pela NE e estava no cel que perdi tinha). Enrolada para saber, ao menos, meu balanço de conta, Dianna me ensinou a solicitar por mensagem sem custo… vem uma mensagem enorme com um monte de blablabla criptografado em chinês mas pelo menos eu sei que o número lá no meio são meus créditos. Enfim, fui lá fazer macaquisse para o cara da loja de conveniência me vender crédito e ainda carregar meu celular. Muito paciente e atencioso ele fez. Agradeci com um “xie xie” para praticar. haha. Mais tarde, Felipe me ligou para irmos comer pizza. Encontrei com ele na estação e fomos. Como sempre, me dando excelentes dicas para me virar em Pequim. E bem, agora cá estou… NOVAMENTE com horários TOTALMENTE errados. Já é madrugada da quarta, portando meu trabalho começa amanhã. Me esforçarei para estabelecer horários adequados mas a primeira semana está sendo realmente difícil.

Ah, não tenho muitas fotos para dispor.. é uma tortura por a mão para fora do bolso para tirar foto.. e eu ainda acabo esquecendo a câmera por vezes. Mas serão longos 6 ou 7 meses, terei tempo suficiente para tirar fotos, né?

 

Restaurante onde almocei com Ann e Shuang

Vendo as pessoas irem e vir durante 8 horas no CDG em Paris

Por enquanto é bom mas em breve enjoará. Preciso aprender a cozinhar

Uma ruazinha tradicional